segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Amantes de viagem

Nas muitas viagens que fiz no eixo Tenente Portela/Frederico Westphalen, duas situações muito semelhantes me chamaram a atenção. Na primeira delas, um homem, por volta de 30 anos, bem apresentável, travava uma conversa ao celular. Durante seu diálogo, com voz grossa e direta, explicava que estava viajando a trabalho depois de passar um final de semana na casa de seu sogro em Tenente Portela.
Após alguns minutos desligou o telefone e fez outra ligação. Dessa vez, com voz mais suave e romântica, falava a outra pessoa, que estava a caminho, com muita saudade e que já havia reservado determinado motel. Também enfatizou com as seguintes palavras: “O esquema continua o mesmo. Eu chego na loja e você vem me atender”. Após mais alguns minutos o cidadão encerra a ligação e faz outra, mais ou menos com o mesmo discurso, só que marcando algo para o dia seguinte.
No segundo caso, outro homem, por volta de uns 45 anos, também travava um discurso ao telefone. Falava do seu desejo inefável de fazer amor, indagando a outra pessoa sobre bailes, festas e namoros. Depois de alguns segundos de silêncio ele fala: “Você sabe que nunca te proibi de sair e namorar, mas você sabe também que quando eu ir para aí você é só minha. Não quero nenhum outro homem na minha cama”. Após mais alguns minutos de conversa ele desliga o celular e desembarca do ônibus.
Diante desses dois fatos, venho questionar-lhes caros leitores: onde estão os valores morais e éticos das pessoas? Onde está o respeito mútuo entre marido e mulher? São perguntas difíceis de se responder analisando os fatos acima. O que se pode afirmar é que os tempos mudaram, que as pessoas adquiriram um modo de pensar diferente do passado e que valores morais praticamente não existem na maioria das famílias. Para mudar esse quadro não temos muito o que fazer. O que nos resta é torcer para que fatos desse gênero jamais aconteçam conosco e com as pessoas que amamos.

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